Ataque de mísseis contra a Polônia

Ataque de mísseis contra a Polônia: poderia isto levar à invocação do Artigo 5, como espera o Presidente Zelensky?

O incidente de ontem [15 de novembro] envolvendo o ataque com mísseis contra o lado polonês da fronteira com a Ucrânia que matou duas pessoas foi denunciado pelos russos como uma ‘provocação’.  A lógica de tal incidente, para a Polônia e seus aliados da OTAN, resultaria na denúncia da Rússia como culpada, como transgressora da inviolabilidade do território da OTAN, e na ameaça da invocação do Artigo 5 da Aliança: uma declaração de guerra em tudo, menos em nome. Em efeito, isso foi precisamente o que disse o Presidente Zelensky em seus primeiros pronunciamentos sobre o incidente e ele foi apoiado pelos líderes chacais dos belicosos estados Bálticos.

De fato, até o momento, a reação polonesa parece ser comedida. Seu presidente,  Duda, convocou seus compatriotas a permanecerem calmos enquanto a investigação estiver em andamento. As autoridades polonesas disseram apenas que fragmentos dos mísseis encontrados no local foram “feitos na Rússia”, o que por si mesmo diz muito pouco,  já que ambos lados do conflito usam armamentos “feitos na Rússia”.  Enquanto isto, na distante Bali, Joe Biden respondeu as perguntas de jornalistas, dizendo que, se examinando a trajetória dos mísseis que atingiram o campo de cultivo no lado polonês da Ucrânia, é ‘improvável’ que eles foram lançados da Rússia. Claro que os jornalistas não fizeram a pergunta subsequente e necessária: o que esta tal trajetória diz sobre donde de fato estes mísseis foram lançados? E quem provavelmente os lançou?

O artigo no Financial Times desta manhã [16 de novembro] sobre o incidente especula que os mísseis eram possivelmente parte do sistema de defesa antiaérea ucraniano e que foram lançados para derrubarem os mísseis de cruzeiro russos atacando a infraestrutura energética, mas “se extraviaram”. Este mesmo artigo não se preocupa em perguntar se os fragmentos verdadeiramente indicam se os projéteis são de ‘defesa antiaérea’ ou se são mísseis da terra à terra, o que presumivelmente seria manifestamente evidenciado pelos grandes fragmentos vistos nas fotografias do local.

Todas estas prevaricação e hesitação, da parte das autoridades dos EEUU e polonesas, em acusar o culpado pelo ataque contra a Polônia contradizem diretamente o padrão de comportamento de longa data dos EEUU e do Ocidente nos conhecidos incidentes de bandeira falsa dirigidos desde Washington ou Londres. Em tais casos, acusações contra a Rússia pela derrubada do vôo MH17 ou contra o regime de Bashar al Assad na Síria pelos supostos ataques contra a população civil seguiram tais incidents dentro de minutos.

De novo, o que aconteceu ontem na Polônia e quem é o culpado? Para se encontrar uma resposta plausível, sugiro a aplicação do princípio romano comprovado pelo tempo e pergunto: cui bono,  os interesses de quem são beneficiados pelo quê aconteceu?  Esta é uma abordagem simples e razoável que lamentavelmente saiu de moda em nossos dias de Guerras de Informação.

Cui bono indica que o regime de Kiev é responsável pelos ataques de mísseis contra a Polônia, a fim de finalmente colocar a OTAN abertamente a seu lado na luta contra a Rússia. A Polônia ainda não está pronta para uma guerra contra a Rússia, até que receba grandes entregas de armamentos dos Estados Unidos por vários meses. Os EUA não querem uma escalada não planejada de uma guerra por procuração para uma guerra dos atores principais que facilmente poderia levar a um ataque nuclear russo contra a terra natal. Apenas o regime do Sr. Zelensky pode contar com o caos total para sobreviver a destruição em  avançado estágio da infraestrutura chave de seu país, finalmente. 

Claro, em Washington e em Bruxelas estas considerações sobre se ativar o Artigo 4 do tratado da Aliança, oficialmente reconhecendo uma ameaça a sua integridade territorial, giram em torno de se determinar a responsabilidade pelo incidente se evitando de acusar a queridinha de nossa generosidade, a Ucrânia, de atacar um país membro da OTAN.

Post scriptum [tarde de 16 de novembro]: os últimos pronunciamentos da Polônia e dos EEUU nas últimas horas dizem que os mísseis que caíram na Polônia eram mísseis de defesa antiaérea ucranianos, não mísseis de cruzeiro russos derrubados. Uma vez que os EEUU registraram a trajetória dos mísseis com um de seus aviões espião próximo à fronteira, eles sabem donde os mísseis foram lançados e se unidades de defesa antiaérea estavam lá. Eles também têm os fragmentos dos mísseis do local de sua queda e podem identificar exatamente o tipo dos mísseis, se assim quiserem. De sua parte, os poloneses indicam que não vão acionar as provisões do Artigo 4 da Aliança, afinal. Pode-se supor que, sabendo o que sabem, prefeririam remover todo este incidente do escrutínio público tão rapidamente quanto possível. Os russos dizem que seu ataque à infraestrutura não chegou de maneira nenhuma perto da fronteira entre a Ucrânia e a Polônia, e isto é completamente crível: querem precisamente evitar o que aconteceu ontem [15 de novembro]. Portanto, qual é a principal lição deste evento? Que os estadunidenses sabem que foi uma provocação pelo regime do Zelensky e rapidamente o abafaram porque querem absolutamente evitar qualquer possibilidade de perderem o controle do conflito e de sua escalada a uma guerra nuclear.

Translation into Brazilian Portuguese from the English source text by Evandro Menezes

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